18 de janeiro de 2021, 20:14 Busca no site:
 
 
 





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CARGA IMEDIATA: TÉCNICA OU FILOSOFIA DE TRABALHO ?
Amilcar Fernandes Neto
 
CARGA IMEDIATA: TÉCNICA OU FILOSOFIA DE TRABALHO ?

Num passado não muito distante, de uns quinze anos para cá, a mídia televisiva propagou, e agora também a internet, em anúncios comerciais para as grandes redes de clínicas odontológicas, um conceito que acabou ficando marcado, por essa insistência, no inconsciente coletivo da população leiga, como marca registrada de técnica, que se sagrou popular, após abusiva massificação de anúncios que causavam e causam, até hoje, enorme desconforto em parte dos profissionais que conhecem e sabem, ética e espontaneamente, explicar as diferenças entre esses termos a seus clientes. Pasmem os leitores, que durante minha formação nessa área, nos diversos cursos e conferências dos quais participei / frequentei, nenhum deles enfatizou essa questão com a devida importância.

Assim, venho expor minha reflexão no intuito de evitar que se continue alimentando, indefinidamente, exageradas expectativas de resultados sobre algo que, definitivamente, não descreve fases sequencias de um procedimento; o que, se assim retratasse, poderia receber, apropriadamente, o rótulo de técnica.

A carga imediata sobre implantes é um conceito aplicado à situação específica em que o(s) implante(s) recém instalado(s) é / são submetido(s) a uma condição de estabilidade inicial satisfatória, mensurável quantitativa e qualitativamente, através de um instrumento apropriado: o TORQUÍMETRO, que mede a "força" ideal aplicada ao osso na finalização do "aperto" do implante, que não é padrão em todos os casos. Depende do "tipo" ósseo, da "qualidade", anatomia regional, do desenho do(s) implante(s) e da análise contextual referente aos requisitos de esforço para o caso, especificamente. Assim, pode variar de múltiplos implantes interligados entre si por estrutura rígida na base da prótese (metálica ou não metálica), com torques individuais superiores a 35N até 45N em osso medular, extrapolando-se ligeiramente esses "limites" quando em osso cortical (compacto), buscando os torques mais altos para os casos de elementos individuais. (próteses unitárias ou "elemento isolado"). Ainda assim, a experiência clínica do profissional e sua análise multifatorial / multifocal é decisiva na determinação e julgamento, na aplicação dessa filosofia* de trabalho.

*A "carga imediata" é um status de consenso coletivo, entre pesquisadores e profissionais clínicos, sobre os bons resultados colhidos a partir de implantes instalados, cujas estabilidades iniciais eram compatíveis com a "rigidez" friccional necessária para a aplicação de carga e função –instantâneas- sobre os implantes recém instalados; e que, por si só, inspiravam confiança aos primeiros pesquisadores (Equipe do Prof. BRANEMARK e outros). Isso permite realizar, eficientemente, uma reabilitação funcional provisória sobre os implantes, sem a necessidade de concluir todas as fases do trabalho principal em curtíssimo espaço de tempo; o que torna muito mais seguro para a consecução dos recursos estéticos necessários à personalização, acabamento e finalização do trabalho principal. É raro encontrar, na literatura, pistas que assim a definam: como filosofia e não como técnica, pois não se podem estabelecer com rigor todos os passos sequencias, previamente ao ato cirúrgico. Portanto, a CARGA IMEDIATA É IMPROPRIAMENTE CHAMADA DE TÉCNICA. ASSIM, POR DEFINIÇÃO, NÃO ENTRA EM SUBSTITUIÇÃO ÀS TÉCNICAS TRADICIONAIS, E NEM À FILOSOFIA DE TRATAMENTO MEDIATO / CARREGAMENTO TARDIO.